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A FILHA DA MINHA MADRASTA

Episódio 10
A mensagem do Nelo ficou a arder na minha cabeça. Eu queria confrontar a Luciana, queria exigir respostas, queria saber o que é que ela estava a esconder. Mas ela olhou para mim com aqueles olhos, e eu percebi que, se eu estragasse aquela noite, podia perder a oportunidade de estar com ela. Ela se aproximou, pousou a mão no meu peito, e disse, com aquela voz doce: - Amor, pausa. O que é que se passa? Estás muito estressado. Será que estás acumulado? Precisas desacumular. Eu sei, isso é stress. Eu respirei fundo, e disse: - Luciana, eu vi a mensagem do Nelo. "Não te esqueças do que combinamos." O que é que isso significa? Ela desviou o olhar, e disse: - Primeiro, não volta a me chamar pelo nome, pra ti é "AMOR", e não é nada de mais. O Nelo é só um amigo, e às vezes ele fica possessivo. Mas não há nada entre nós. Confia em mim. Eu olhei para ela, e senti o meu coração a lutar contra a minha cabeça. Eu queria confiar, queria acreditar que ela estava a dizer a verdade. E, naquele momento, a tia Fátima apareceu na sala, e disse: - Já é tarde. Vão dormir. O quarto da Luciana está pronto para vocês dois. Eu fiquei surpreso. A tia Fátima estava a permitir que eu dormisse no quarto da Luciana? Ela sorriu, e disse: - Eu confio em ti, Ivan, sei que não farás nada com ela. E confio na minha filha. Durmam bem. A avó apareceu, e disse: - Já para o quarto, meninos. Amanhã há muito que fazer. A Luciana pegou na minha mão, e levou-me para o quarto dela. Era um quarto simples, com uma cama grande, um armário, e uma janela que dava para o quintal. Ela fechou a porta, e se virou para mim. Ela disse, com aquele sorriso maroto: - Amor, não tens o desejo de me c0mer na casa da minha mãe? Já estamos aqui, relaxa. Deixa-me cuidar de ti hoje. Eu fiquei parado. Ela se aproximou, e começou a beijar o meu pescoço, devagar, com aquela boca quente. Eu senti o meu corpo a responder, e a minha cabeça a desligar. Ela sabia o que estava a fazer. E eu deixei-me levar. A noite foi incrível. Esqueci o Nelo, esqueci as mensagens, esqueci tudo. Só havia ela, o corpo dela, o cheiro dela, a forma como ela me tocava. Ficamos acordados até tarde, a explorar um ao outro, a rir, a falar baixinho, a fazer de novo e de novo, a fazer promessas. Eu senti que, pela primeira vez em muito tempo, estava em paz. Mas a paz não durou muito. Quando o sol começou a raiar, eu senti a Luciana a mexer-se na cama, devagar, como se não quisesse me acordar. Eu fingi que estava a dormir. Fechei os olhos, e controlei a respiração. Ela saiu da cama, vestiu-se em silêncio, e saiu do quarto. Ouvi a porta a fechar-se, e os passos dela no corredor. Eu abri os olhos, e fiquei a olhar para o teto. Ela estava a sair. Sem me dizer nada. Sem me acordar. O que é que ela estava a esconder? Esperei uns minutos, para ter a certeza de que ela não voltava. Depois, levantei-me, vesti-me à pressa, e saí do quarto. A avó estava na cozinha, e olhou para mim, surpresa. Ela disse: - Ivan? Já acordaste? Eu respondi, a tentar parecer calmo: - Sim, avó. Vou dar uma volta. Preciso de apanhar ar. Saí de casa, e comecei a seguir ela pelas ruas de Benguela, e fomos parar numa quadra de basquete do bairro ao lado, e lá estava ela. Sentada num banco, a falar com o Nelo. Eu me escondi, e fiquei a ouvir. O Nelo estava a falar, com a voz alterada: - Luciana, tu prometeste. Tu disseste que voltavas para mim depois de acertares as coisas em Luanda. Mas tu não dizes nada até agora. E agora apareces com esse rapaz? A Luciana respondeu, a chorar: - Nelo, por favor. Eu não te prometi nada. A nossa relação acabou há meses. Eu segui em frente. Ele riu, e disse: - Seguiu em frente? Tu e eu namoramos durante um ano, Luciana. Eu conheço-te melhor do que qualquer um. E tu sabes que ainda me amas. Ela respondeu, a tremer: - Não. Eu amo o Ivan. E tu tens que aceitar isso. Ele se aproximou, e disse, com a voz fria: - Aceitar? Eu não vou aceitar. Ou tu voltas para mim, ou eu conto ao Ivan tudo o que fizemos. Tudo. E tu sabes que ele não te vai perdoar. Eu senti o sangue a ferver. O Nelo era o ex-namorado da Luciana. Eles namoraram durante três anos. E ela nunca me contou. Ele estava a chantageá-la com o passado deles, com algo que ela fez, ou com algo que ele sabia. Eu não aguentei mais. Saí do meu esconderijo secreto e gritei: - Deixa ela em paz, seu burr0. O Nelo virou-se, surpreso. A Luciana ficou branca. Ele disse, a rir: - Ah, o namorado. Chegou a tempo de ouvir a verdade. Eu respondi, a avançar para ele: - Então gostas de chantagear mulheres? Calma, hoje vou te dar uma lição. Ele riu, e disse: - E o que é que tu vais fazer? Me bater? Hoje vais ver como é que a p0lícia bate. Ele avançou para mim, e eu não recuei. Tentou me dar um s0co mas eu o desarmei rápido, virei ele e prendi os braços dele deixando ele preso. Ele tentou se soltar, mas não conseguiu. A Luciana gritou, a chorar: - Ivan, amor, para! Para, por favor, vamos embora! Eu parei, ouvi a minha mulher. O Nelo nem tentou vir pra cima de mim de novo. Ele disse, a rir: - Vais pagar por isto. Eu tenho amigos na p0lícia. Vais ver. Eu peguei na mão da Luciana, e levei-a para casa. Ela chorava, e eu sentia o meu coração despedaçado. Quando chegamos, a tia Fátima e a avó perguntaram o que aconteceu. A Luciana contou tudo. O Nelo era o ex-namorado dela, eles namoraram durante um ano, e ele nunca aceitou o fim. Ele estava a chantageá-la com o passado deles, com vídeos íntimos que ele filmava as escondidas. A tia Fátima ficou em choque, e a avó chorou. Eu disse, a olhar para a Luciana: - Eu vou resolver isto. Não te preocupes. Mas a tia Fátima disse que resolveria na justiça no dia seguinte, só que nós fomos lentos, naquela noite, quando estávamos todos a jantar, bateram à porta. Era a polícia. Dois agentes acompanhados do Nelo, com uma queixa na mão. Um deles disse: - O senhor Ivan está preso por agressão. Tem que nos acompanhar. Eu olhei para a Luciana, que começou a chorar. A tia Fátima tentou intervir, mas os agentes foram firmes. E lá estava o Nelo, a dizer: - "Eu te avisei. Agora vais ver o como é que a p0lícia bate." Mas eu estava calmo, conhecia o meu Direito, e aquilo estava errado.