A FILHA DA MINHA MADRASTA
Episódio 14
O beijo da Tânia deixou-me gelado. Quando ela se afastou, com aquele sorriso de vitória, eu senti um nó no estômago.
O que é que eu tinha feito? Eu tinha traído a Luciana. A mulher que eu amava. A mulher que eu ia pedir em casamento.
Eu me afastei, e limpei a boca com as costas da mão.
Eu disse, com a voz a tremer:
- Tânia, isto não podia ter acontecido. Foi um erro.
Ela riu, um riso curto, e se encostou.
Ela disse:
- Um erro? Ivan, tu gostaste. Eu senti.
Eu respondi, a olhar para a porta, com medo que a Luciana aparecesse:
- Não interessa se gostei ou não. Eu amo a Luciana. E não vou estragar tudo por causa de um momento de fraqueza.
Ela se aproximou outra vez, e pousou a mão no meu peito.
Ela disse, com aquela voz doce:
- Ivan, relaxa. Eu não vou contar nada a ninguém. Isto fica entre nós. Mas... se um dia mudares de ideias, já sabes onde estou.
Eu me levantei, e fui para a varanda. Precisava de ar. Precisava de pensar. A Tânia ficou na sala, a rir, como se aquilo fosse uma brincadeira. Mas para mim não era. Eu tinha traído a confiança da Luciana.
Pouco depois, a Luciana e as outras mulheres voltaram com as bebidas. A Luciana entrou na sala, e olhou para mim, e depois para a Tânia.
Ela disse, desconfiada:
- O que é que se passou aqui?
Eu respondi, a tentar parecer normal:
- Nada. Estávamos a conversar.
A Tânia sorriu, e disse:
- Sim, só a conversar. O Ivan é tão divertido.
A Luciana olhou para mim, e eu desviei o olhar. Ela percebeu que algo estava errado, mas não insistiu.
O jantar foi estranho. A Tânia estava toda hora sorrir, a falar comigo como se nada tivesse acontecido. A Luciana ficou calada, a olhar para nós dois. Eu sentia o peso da culpa em cima de mim.
Depois do jantar, voltamos para a casa da tia Fátima. A Luciana ficou calada durante todo o caminho.
Quando chegamos, ela foi para o quarto, e eu fui atrás dela.
Eu disse, a fechar a porta:
- Luciana, precisamos de falar.
Ela se virou para mim, com os olhos cheios de lágrimas.
Ela disse:
- Ivan, o que é que se passou naquela casa? Eu vi a forma como a Tânia olhou para ti. Eu conheço-a. Ela não é de confiança.
Eu respirei fundo, e decidi ser honesto.
Eu disse:
- Luciana, a Tânia tentou beijar-me. E eu... eu deixei.
Ela ficou branca. Sentou-se na cama, e ficou em silêncio por um momento.
Ela disse, com a voz a falhar:
- Tu deixaste? Tu beijaste-a?
Eu respondi, a aproximar-me:
- Foi um erro. Um momento de fraqueza. Eu não queria. Eu amo-te, Luciana. Só a ti.
Ela se levantou, e me empurrou.
Ela gritou, a chorar:
- Tu beijaste a minha amiga! A Tânia! Como é que pudeste?
Eu respondi, a tentar segurar as mãos dela:
- Luciana, eu sei que errei. Mas eu te amo. Eu não quero perder-te.
Ela se afastou, e disse, a chorar:
- Ivan, eu confiei em ti. Eu deixei tudo para trás por tua causa. E tu fazes isto?
Eu fiquei ali, sem saber o que dizer. Ela tinha razão. Eu tinha falhado com ela.
A Luciana pegou na mala, e começou a arrumar as coisas.
Ela disse, a chorar:
- Eu vou-me embora.
.
Eu respondi, a desesperar:
- Luciana, por favor. Não faças isso. Vamos conversar.
Ela respondeu, a olhar para mim:
- Conversar? Tu traíste-me, Ivan. Não há nada para conversar.
Nesse momento, a porta do quarto abriu-se. Era a tia Fátima. Ela devia ter ouvido os gritos.
Ela olhou para nós dois, e disse:
- O que é que se passa aqui?
A Luciana olhou para a mãe, e limpou as lágrimas. Ela respirou fundo, e disse:
- Não é nada, mãe. É só uma discussão de namorados. Já passa.
A tia Fátima olhou para ela, desconfiada, e depois olhou para mim.
Ela disse:
- Ivan, tu estás com uma cara estranha. Aconteceu algo?
Eu respondi, a tentar parecer normal:
- Não, tia. Está tudo bem. Só estamos cansados.
A tia Fátima suspirou, e disse:
- Então vão dormir. Pensaram que seria fácil, néh? Kkkkk, amanhã é outro dia.
Ela saiu do quarto, e fechou a porta. A Luciana olhou para mim, e disse, com a voz fria:
- Eu não contei à minha mãe porque não quero que ela sofra. Mas isto não está resolvido, Ivan.
Eu respondi, a olhar para ela:
- Eu sei. E vou fazer tudo para reparar.
A Luciana deitou-se na cama, de costas para mim. Eu me deitei ao lado dela, mas não a toquei. Fiquei acordado a noite toda, a olhar para o teto, a pensar no que tinha feito.
No dia seguinte, a Luciana acordou cedo, e saiu do quarto sem dizer nada. Eu desci atrás dela, e encontrei-a na cozinha, com a tia Fátima e a avó.
Ela estava a comer, como se nada tivesse acontecido. A tia Fátima olhou para mim, e sorriu.
Ela disse:
- Ivan, bom dia. Dormiste bem?
Eu respondi, a tentar sorrir:
- Dormi, tia. Obrigado.
A Luciana não me olhou. Terminou o pequeno-almoço, e disse:
- Mãe, eu vou sair. Vou falar com a Tânia.
A tia Fátima franziu a testa:
- Falar com a Tânia? Sobre o quê?
A Luciana respondeu, a levantar-se:
- Nada de mais, mãe. Coisas de amigas.
Ela saiu. Eu fiquei preocupado. Sabia que aquilo não ia acabar bem.
Saí atrás dela, sem que a tia Fátima percebesse. Segui-a até à casa da Tânia. A Luciana entrou, e eu fiquei do lado de fora, a ouvir.
A Luciana disse, com a voz a tremer de raiva:
- Tânia, tu beijaste o meu namorado. Como é que pudeste?
A Tânia riu, um riso debochado.
Ela disse:
- Ah, a Luciana. Sempre tão dramática. O Ivan gostou, sabias? Ele não se afastou. Ficou ali, parado, a gostar.
A Luciana respondeu, a gritar:
- Mentira! Ele ama-me!
A Tânia disse:
- Ele ama-te? Então porque é que ele me beijou? Porque é que ele não te contou? Tu és uma ingénua, Luciana. Sempre foste.
A Luciana avançou para ela, e deu-lhe uma bofetada. A Tânia ficou em choque, e depois revidou. As duas começaram a brigar, a puxar o cabelo, a arranhar.
Eu entrei, e separei as duas.
Eu gritei:
- Chega! Parem com isto!
A Luciana estava a chorar, com o cabelo desfeito. A Tânia tinha um arranhão na cara, e olhava para mim com raiva.
Ela disse:
- Vês, Ivan? É isto que tu queres? Uma louca?
Eu respondi, a olhar para ela:
- Tânia, tu não prestas. Foste tu que me beijaste. Foste tu que armaste tudo. E agora estás a tentar destruir a minha relação.
Ela riu, e disse:
- Destruir? Eu só mostrei a verdade. Tu não amas a Luciana. Tu amas o que ela te dá. Mas eu posso dar-te muito mais.
Eu peguei na mão da Luciana, e saímos dali. Ela chorava, e eu sentia o coração despedaçado.
Quando chegamos a casa, a Luciana foi para o quarto, e fechou a porta. Eu fiquei na sala, a pensar.
De repente, a imagem da Tânia veio-me à cabeça. O beijo dela. A forma como ela me tocou. Eu senti um arrepio. E, pela primeira vez, uma dúvida cruel instalou-se em mim.
Eu disse, baixinho, para mim mesmo:
- Será que eu estou a gostar da Tânia? Ela beija bem, meu Deus. Não posso trair a Luciana. Eu não sou assim. Ou talvez seja e não saiba?
Eu abanei a cabeça, a tentar afastar aquele pensamento. Mas a dúvida já estava lá. E eu não sabia como a ia m@tar.