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A FILHA DA MINHA MADRASTA

Episódio 15
EPISÓDIO 15 (FINAL) Os dias que se seguiram à briga com a Tânia foram os mais frios da minha vida. A Luciana não me expulsou de casa, mas também não me perdoou. Ela falava comigo o essencial, dormia de costas para mim, e recusava qualquer toque. Eu sentia a falta do sorriso dela, do cheiro dela, do calor dela. E, pior do que isso, sentia a dúvida a crescer dentro de mim. A imagem da Tânia não me saía da cabeça. O beijo dela, a forma como ela me tocou, a segurança com que disse que eu gostei. Eu odiava-me por pensar nela, mas não conseguia evitar. O meu pai e a tia Fátima andavam preocupados. A tia Fátima chegou a perguntar-me se estava tudo bem, mas eu menti. Disse que era só stress. A Luciana também mentia. Dizia que era cansaço. Mas os dois sabiam que havia algo errado. Foi então que eu tomei uma decisão. Se a Luciana não me perdoava com palavras, eu ia provar com atos. Ia fazer a coisa mais séria que um homem pode fazer: ia fazer a apresentação. Ia oficializar o nosso namoro, e prometer o casamento. Ia mostrar-lhe, e ao mundo, que era ela que eu queria. Só ela. Chamei a tia Fátima e o meu pai à cozinha, uma noite, enquanto a Luciana dormia. Eu disse, a olhar para os dois: - Tia, pai. Eu quero fazer a apresentação. Quero oficializar o namoro com a Luciana. Esta semana. E quero que ela saiba. A tia Fátima arregalou os olhos, e depois sorriu, emocionada. Ela disse: - Ivan, tu estás a falar a sério? Uma apresentação? Assim, de repente? Eu respondi, a olhar para ela: - Estou, tia. Eu amo a Luciana. E quero provar-lhe que é ela que eu quero. Para sempre. O meu pai olhou para mim, e eu vi orgulho nos olhos dele. Ele disse: - Filho, isso é uma decisão de homem. Eu apoio-te. Vamos fazer a melhor apresentação que Benguela já viu. A tia Fátima abraçou-me, e disse: - Eu vou tratar de tudo. A minha filha vai ter a apresentação que sempre sonhou. Mas, Ivan, tu sabes como é a tradição. No dia, tu não podes estar aqui. Tens que ficar num hotel com a tua família e os teus amigos. Só vens no dia, com o teu pessoal, para pedir a mão dela. Eu assenti. Eu conhecia a tradição. O noivo não podia ver a noiva antes da cerimónia. Tinha que ficar no hotel ou em outra casa qualquer, com a família dele, e só aparecer na hora. Nos dias seguintes, a tia Fátima e a avó trabalharam em segredo. Convidaram a família, escolheram os panos, prepararam a comida, decoraram a casa. A Luciana sabia que algo se passava, mas a tia Fátima só lhe dizia que era uma surpresa. A Luciana olhava para mim, desconfiada, mas eu só sorria. Finalmente, o dia chegou. Eu acordei no hotel, com o meu pai e os meus tios. O Kito e o Beto também estavam lá, a ajudar-me a vestir. Eu estava nervoso, ya. Nunca me tinha sentido tão nervoso na vida. O meu tio, o tio Chico, olhou para mim e disse: - Ivan, hoje é o dia. Tu vais pedir a mão da Luciana. Estás pronto? Eu respondi, a respirar fundo: - Estou, tio. Mais do que nunca. Por volta das 15 horas, a comitiva saiu do hotel. Éramos uns vinte: o meu pai, os meus tios, os meus primos, o Kito, o Beto, e mais uns amigos. Levamos as bebidas: grades de gasosa, cerveja, garrafões de vinho, whisky, champanhe, e um envelope com 50 mil KZ, como manda a tradição. O carro ia cheio. Chegamos à casa da tia Fátima por volta das 16 horas. A casa estava linda, toda decorada com panos coloridos e flores. A família da Luciana já estava toda lá, à nossa espera. O tio da Luciana, o tio Mateus, recebeu-nos à porta. Ele disse, a sorrir: - Ah, os nossos convidados chegaram! Entrem, entrem. Entramos, e fomos recebidos com abraços e cumprimentos. A avó da Luciana estava radiante, com um lenço novo na cabeça. A tia Fátima estava linda, com um vestido tradicional. O meu pai cumprimentou toda a gente, e eu fiquei ao lado dele, com o coração aos saltos. Sentamos na sala, os homens de um lado, as mulheres do outro. O tio Chico, o meu tio, tomou a palavra. Ele disse, a olhar para o tio Mateus: - Tio Mateus, nós viemos aqui hoje para oficializar o namoro do nosso filho Ivan com a vossa filha Luciana. Nós queremos a Luciana para o nosso Ivan. E queremos pedir a vossa bênção. O tio Mateus ouviu, e acenou com a cabeça. Ele disse: - Tio Chico, nós conhecemos o Ivan. Sabemos que é um bom rapaz. E sabemos que a Luciana é feliz com ele. A família está de acordo. Todos aplaudiram. O tio Chico continuou: - Nós propomos que o pedido oficial e o casamento sejam daqui a dois anos. Até lá, eles ficam noivos, e nós vamos preparando tudo como manda a tradição. O tio Mateus concordou. Ele disse: - Está bem. Dois anos é um bom tempo. Assim eles se conhecem melhor, e nós preparamos o casamento como deve ser. Depois da conversa, os meus amigos saíram para ir buscar as bebidas ao carro. O Kito e o Beto voltaram com as grades de gasosa, as cervejas, os garrafões de vinho, o whisky, o champanhe, e o envelope com os 50 mil KZ. Entregaram tudo ao tio Mateus, que agradeceu e mandou guardar. Depois, o tio Chico disse: - Agora, vamos chamar a noiva. A porta do quarto abriu, e a Luciana entrou. E eu fiquei sem ar. Ela estava linda ya. Linda de morrer. Vestia um vestido tradicional, todo bordado, com panos coloridos. O cabelo estava apanhado, com um pente de ouro. E o sorriso dela... ah, o sorriso dela iluminava a sala toda. Todos suspiraram. A avó chorou. A tia Fátima chorou. E eu... eu fiquei paralisado. Ela veio até mim, e se sentou ao meu lado. Depois, pegou numa faixa, da mesma cor do vestido dela, e colocou no meu pescoço. Ela disse, baixinho: - Agora estás combinando comigo. Eu respondi, a sorrir: - Sempre estive, amor. Depois, chegou a hora do discurso. Eu me levantei, com o coração a bater forte, e olhei para a Luciana e para a família dela. Eu disse, a voz a tremer: - Boa tarde a todos. Eu não sou homem de muitos discursos, mas hoje preciso de falar. Luciana, eu te amo. Amo-te desde o dia em que te vi, naquele dia, com a tua mãe. Amo o teu sorriso, a tua força, a tua teimosia. Amo tudo em ti. Eu sei que errei, e sei que te magoei. Mas eu prometo que vou passar o resto da minha vida a fazer-te feliz. Hoje, eu te entrego este buquê, e te peço para seres minha noiva. Não hoje para casar, mas hoje para começar a nossa história. Peguei no buquê de flores naturais, e entreguei à Luciana. Ela pegou, com os olhos cheios de lágrimas. Depois, tirei do bolso o anel. Um anel de ouro, simples, mas bonito. Peguei na mão dela, e coloquei o anel no dedo. Eu disse: - Luciana, aceitas ser minha noiva? Ela olhou para mim, e as lágrimas caíram. Ela respondeu: - Aceito, Ivan. Aceito. Ela me abraçou, e me beijou. Todos aplaudiram, e a festa começou. Comemos, dançamos, rimos. A casa da tia Fátima encheu-se de alegria. A Luciana não saía do meu lado. A tia Fátima e o meu pai estavam felizes, a dançar juntos. A avó estava sentada, a ver tudo, com um sorriso de orelha a orelha. Já era quase meia-noite quando eu decidi ir ao quintal apanhar ar. Estava calor, e eu precisava de respirar. A Luciana ficou na sala, a dançar com as primas. Saí para o quintal, e fechei os olhos, a sentir a brisa. Foi então que ouvi passos atrás de mim. Eu pensei que fosse a Luciana, e sorri. Eu disse: - Já vens atrás de mim? Mas a voz que respondeu não era a dela. Era a da Tânia. Ela disse, com aquele sorriso de cobra: - Sempre, Ivan. Sempre. Eu virei-me, e lá estava ela. Com um vestido vermelho justo, e um sorriso de vitória. Eu disse, a olhar para ela: - Tânia, o que é que tu estás aqui a fazer? Sai daqui. Ela riu, e se aproximou. Ela disse: - Eu vim ver a festa. E vim dizer-te que o vídeo já está a circular. Mandei para todos os teus convidados. Vê só, o vídeo do nosso beijo. Eu olhei para a casa, e vi que as pessoas estavam a olhar para os telefones. Algumas bocas abertas, outras a cochichar. A tia Fátima estava pálida, com o telefone na mão. A Luciana estava no meio, com os olhos arregalados. Eu senti o chão a fugir. Ela tinha mandado o vídeo do beijo que ela fez as escondidas para todos. E, agora, a minha vida ia desmoronar-se. Outra vez. FIM... ❗Segunda temporada JÁ DISPONÍVEL❗