A FILHA DA MINHA MADRASTA
Episódio 2
Saí do quarto da Luciana com o coração a bater forte e a cabeça a fervilhar.
Podem falar o que quiserem, de tímida essa miúda não tem nada. Pelo contrário, parecia gostar de brincar com o fogo. E eu, burr0 como sou, não sabia o que fazer com aquilo.
Fui para a cozinha, tentei me acalmar, e comecei a preparar algo para comer.
Abri o frigorífico, tirei uns ovos, uma cebola, tomate, e comecei a fazer uma omelete.
Era simples, mas era o que tinha. Enquanto mexia os ovos, ouvi passos atrás de mim. Não precisei de me virar para saber quem era.
A Luciana disse, com aquela voz doce:
- Cheira bem, és tu que cozinhas sempre?
Eu respondi, sem me virar:
- Desde que a minha mãe morreu, sim. O meu pai trabalha muito, e eu aprendi a me virar.
Ela se aproximou, se encostou ao balcão ao meu lado, e olhou para a frigideira.
Ela disse:
- Hmm, parece bom. Posso provar?
Eu respondi, a tentar manter a calma:
- Claro. Pega um prato.
Ela pegou um prato, e eu servi um pouco da omelete. Ela provou, fechou os olhos, e soltou um gemido baixinho.
Ela disse:
- Meu Deus, Maninho. Isto está uma delícia. Vais ser um marido perfeito.
Eu ri, sem graça, e respondi:
- Obrigado. Mas não sei se sou assim tão bom.
Ela olhou para mim, com aquele sorriso maroto, e disse:
- Ah, eu acho que és. Tens jeito para as coisas ya. E não é só na cozinha.
Eu fiquei parado, sem saber o que dizer. Ela estava a brincar comigo, e eu sabia. Mas o pior é que eu estava a gostar. E isso era errado. Ela ia ser a minha irmã. A filha da mulher que o meu pai ia casar.
Eu disse, a tentar mudar de assunto:
- A tua mãe disse que tu eras tímida. Mas tu não pareces nada tímida.
Ela riu, um riso curto, e disse:
- A minha mãe diz isso para me proteger. Mas contigo, não preciso de me esconder. Tu és da família agora.
Ela pousou o prato no balcão, e se aproximou mais. Ficou tão perto que eu sentia o cheiro do perfume dela. Um cheiro doce, envolvente, que me deixava tonto.
Ela disse, baixinho:
- Ivan, posso te perguntar uma coisa?
Eu respondi, com a voz a falhar:
- Po po po po, podes.
Ela disse:
- Tu tens namorada?
Eu respondi rápido, sem pensar:
- Não. Agora não.
Ela sorriu, e disse:
- Que pena. Uma pessoa tão bonita como tu? Não acredito.
Ela virou as costas e foi para a sala, deixando-me ali, parado na cozinha, com o coração aos saltos e a cabeça a confundir.
O que é que aquela miúda queria? Estava a brincar comigo? Ou estava mesmo a tentar algo?
Pouco depois, o meu pai e a tia Fátima chegaram. Eu e a Luciana estávamos na sala, a ver televisão.
Ela estava sentada no sofá, com as pernas cruzadas, e eu estava na poltrona, a tentar manter a distância. O meu pai entrou, todo sorridente, e disse:
- Então, já se conheceram melhor?
Eu respondi, a tentar parecer normal:
- Sim, papá. Estivemos a conversar.
A tia Fátima olhou para a filha, e disse:
- Luciana, porta-te bem ya. Não estejas a chatear o Ivan, kkkk.
A Luciana respondeu, com aquele ar de inocente:
- Eu? Mãe, eu sou um anjo.
A tia Fátima riu, e o meu pai também. Eu só consegui sorrir, mas por dentro estava a pensar: "Um anjo? Essa miúda é opróprio diab0."
Naquela noite, fui para o meu quarto, me deitei, e tentei dormir. Mas não consegui. Ficava a pensar na Luciana, no cheiro dela, no sorriso dela, nas palavras dela e no quarto dela, quando entrei e lhe vi semi-nu@.
E eu odiava-me por isso. Ela ia ser a minha irmã. A minha família. Eu não podia sentir aquilo.
Mas o pior estava para vir. Por volta das 2 horas, ouvi bater à porta do meu quarto, devagar, quase impercetível. Eu me levantei, abri, e lá estava ela. A Luciana. De camisa de dormir, com o cabelo solto, e aquele sorriso que me fazia perder a cabeça.
Ela disse, num sussurro:
- Ivan, não consigo dormir. Posso ficar contigo um pouco?
Eu respondi, com a voz a tremer:
- Luciana, isto não é certo. Vai para o teu quarto.
Ela se aproximou, e pousou a mão no meu peito.
Ela disse, baixinho:
- Porquê? Nós não somos irmãos de sangue. Não há mal nenhum.
Eu respondi, a tentar resistir:
- Mas vais ser a minha irmã. O meu pai vai casar com a tua mãe.
Ela sorriu, e disse:
- O casamento ainda não aconteceu. E mesmo que aconteça, isso não muda o que eu sinto por ti.
Ela se aproximou mais, e eu senti o hálito dela no meu rosto. O coração batia tão forte que eu tinha a certeza de que ela ouvia.
Ela disse:
- Ivan, eu sei que tu também me desejas. Vejo nos teus olhos. Não mintas.
Eu não respondi. Não conseguia. Ela tinha razão. Eu a desejava. E odiava-me por isso.
Ela encostou os lábios nos meus. Foi um toque suave, curto, mas suficiente para me deixar sem chão. Depois, ela afastou-se, sorriu, e disse:
- Boa noite, maninho.
E se foi embora, me deixando ali, parado à porta do quarto, com o coração despedaçado e a cabeça a explodir.
Eu sabia que aquilo ia dar problema. Muito problema. Mas, naquele momento, só conseguia pensar numa coisa: eu queria mais e mais.