EU DISSE QUE NÃO TINHA NAMORADO
Episódio 2
Fiquei uns bons segundos a olhar para o telefone.
De um lado:
“Precisamos conversar.”
Do outro:
“Oi, tudo bem? Já chegaste em casa?”
Eu:
- Meu Deus... hoje mesmo?
Kkkkkk.
Juro, parecia que o universo estava a brincar comigo.
Quase três semanas sem uma conversa decente com o meu namorado.
Três semanas!
E justamente no dia em que um rapaz aparece do nada, pergunta se tenho namorado, eu digo que não...
E ele manda mensagem.
Logo depois o meu namorado aparece também.
Eu olhei para o teto.
- Senhor, eu só queria chegar em casa em paz, ya.
Sentei na cama e fiquei a pensar em qual mensagem responder primeiro.
O meu dedo foi para a conversa do meu namorado.
Parei.
Voltei para a outra.
Parei também, pensei:
Mboa... meteste-te num mambo rijo, kkkk.
Respirei fundo e respondi ao rapaz.
Eu:
- Sim, já cheguei. E tu?
A resposta veio quase imediatamente.
Ele:
- Já também 😂
- Só queria saber se chegaste bem.
Eu sorri.
Não sei porquê.
Mas sorri.
Eu:
- Cheguei sim. Obrigada.
Ele demorou uns segundos.
Ele:
- Ainda bem.
- Posso fazer-te uma pergunta?
Eu já estava a desconfiar.
Eu:
- Podes.
Ele:
- Estavas com medo de nós quando passaste ali?
Eu arregalei os olhos.
— Eish!
Como é que ele sabia?
Comecei a rir sozinha.
Eu:
- Um bocadinho 😂
Ele:
- Eu sabia kkkkk.
- Os meus amigos estavam a dizer que tu nem ias parar.
Eu:
- E estavam certos 😂
Ele:
- Mas eu gostei de ti.
Fiquei quieta.
“Gostei de ti.”
Assim mesmo?
Sem preparação?
Olhei para a parede como se ela tivesse resposta.
- Esse rapaz também não perde tempo ya, gostei, kkkk.
Mas, antes de responder...
O telefone vibrou.
“Precisamos conversar.”
Desta vez eu abri.
Fiquei a olhar para aquela frase.
Não sabia se queria responder.
Mas respondi.
Eu:
- Sobre o quê?
Visualizou.
Nada.
Um minuto.
Dois.
Cinco.
- Ah, pronto.
Levantei-me da cama.
Fui beber água.
Voltei.
Ainda nada.
- Esse homem quer me matar de ansiedade?
Deixei o telefone na cama.
Fui tirar a roupa.
Quando voltei...
Mensagem.
Ele:
- Quero falar contigo pessoalmente.
O meu coração deu uma pequena batida diferente.
Não porque eu ainda estivesse apaixonada.
Mas porque, depois de quase três semanas daquele silêncio, eu sabia que aquela conversa podia significar uma coisa.
Fim.
Talvez ele finalmente quisesse terminar.
E, sinceramente?
Uma parte de mim estava cansada demais para lutar.
Respondi:
Eu:
- Quando?
A resposta veio:
Ele:
- Hoje.
- Hoje?!
Olhei para o relógio.
Já passava das 20.
- Esse homem está maluco?
Antes que eu pudesse responder, outra mensagem apareceu.
Ele:
- Estou perto da tua casa.
Eu congelei.
- Como assim perto da minha casa?
Levantei-me imediatamente.
Fui até à janela.
Olhei para a rua.
Nada.
Só algumas pessoas a passar.
Uma motorizada.
Um candongueiro lá mais abaixo.
E depois...
Vi um carro parado do outro lado da rua.
Fiquei a observar.
Não conseguia ver bem quem estava dentro.
Peguei no telefone.
Eu:
- Onde exatamente?
Ele não respondeu.
O carro continuava parado.
Meu coração começou a acelerar.
Então o telefone vibrou.
Não era ele.
Era o rapaz da rua.
Ele:
- Desculpa perguntar...
- O teu namorado mora perto de ti?
Fiquei gelada.
Olhei novamente para o carro.
Depois para a mensagem.
- Como é que ele sabe que eu tenho namorado?
Eu nunca tinha contado.
Nunca.
Nem uma palavra.
Digitei:
Eu:
- Porquê?
Ele visualizou.
Dessa vez demorou.
Muito.
Até que respondeu:
Ele:
- Porque acho que o vi.
Meu coração parou.
Olhei outra vez para o carro.
E, naquele exacto momento...
A porta abriu.
Saiu um homem.
Fiquei sem respirar.
Ele atravessou a rua lentamente.
Parou mesmo em frente ao portão da minha casa.
E o meu telefone vibrou.
Uma mensagem do meu namorado:
“Abre o portão.”
Eu fiquei completamente imóvel.
Mas havia uma coisa que me deixou ainda mais confusa.
Porque, ao mesmo tempo...
O rapaz que conheci naquela rua mandou outra mensagem.
“Não abras.”
Eu:
- O quê?!
Fiquei a olhar para o telefone.
Um homem estava do lado de fora.
O meu namorado dizia para eu abrir.
E o rapaz que conheci há poucas horas estava a dizer para eu não abrir.
Mas...
Como é que ele sabia que o meu namorado estava ali?
E como ele conheci na minha casa.