A FILHA DA MINHA MADRASTA
Episódio 4
Ela me puxou para dentro e fechou a porta. Eu fiquei ali parado no meio do quarto dela com o coração a bater tão forte que parecia que ia sair pela boca.
Ela se encostou à porta, cruzou os braços, e olhou para mim com aquele sorriso de quem estava a gozar com a minha cara.
Ela disse:
- Então? Disseste que isto tinha que acabar. Acaba agora.
Eu respondi, a tentar parecer firme:
- Luciana, eu vim aqui para falar a sério.
Ela riu, um riso curto, e se aproximou devagar.
Ela disse:
- Falar a sério? Ivan, tu estás aqui dentro do meu quarto com a porta fechada e queres falar a sério? Só pode ser brincadeira.
Ela passou por mim, foi até à cama, e se sentou na beira. Depois, pegou num livro que estava na mesa de cabeceira, abriu, e começou a folhear como se eu não estivesse ali. Eu fiquei parado, sem saber o que fazer.
Eu disse:
- Luciana, estou a falar a sério. Isto não pode continuar.
Ela respondeu, sem levantar os do livro:
- Não pode continuar, mas tu vieste. Ninguém te obrigou a bater à porta.
Eu respondi:
- Vim porque preciso que isto pare.
Ela fechou o livro, olhou para mim, e disse:
- Ivan, tu és tão fofo quando tentas ser durão. Sabias que ficas com uma carinha de bebé zangado?
Eu fiquei sem resposta. Ela se levantou, foi até à janela, abriu a cortina, e ficou a olhar para o quintal. Depois, virou-se para mim, e disse:
- Vem cá ver isto.
Eu respondi, desconfiado:
- Ver o quê?
Ela disse:
- Vem só.
Eu me aproximei devagar. Quando cheguei perto, ela se virou de repente, ficou à minha frente, muito perto, e disse:
- Ivan, eu só queria ver se tu tinhas coragem de chegar perto de mim. E tinhas.
Ela riu, se afastou, e se sentou na cama outra vez. Eu percebi que ela estava a brincar comigo, a testar-me, a ver até onde eu ia. E eu estava a cair como um patinho.
Eu disse, a tentar recuperar a compostura:
- Luciana, isto é um jogo para ti?
Ela respondeu, com aquele sorriso maroto:
- Claro que é. E tu estás a perder, maninho. Estás a perder feio.
Ela se deitou na cama, de barriga para baixo, com as pernas cruzadas no ar, e começou a mexer no telemóvel. Eu fiquei ali parado, sem saber o que fazer. Ela olhou para mim, e disse:
- Estás à espera de quê? Que eu te peça em casamento? Vai embora, Ivan. Ou fica, mas para de fingir que não queres.
Eu respirei fundo, virei as costas, e saí do quarto. Fechei a porta, encostei-me à parede do corredor, e soltei o ar que estava a prender. Ela me tinha na mão, e eu sabia. Mas, estranhamente, estava a gostar daquilo. E odiava-me por gostar.
Desci para a sala, me sentei, e tentei ver televisão. Mas a cabeça não parava.
Passados uns minutos, ela desceu também, já vestida com uma camisola larga e umas calças curtas. Foi para a cozinha, abriu o frigorífico, pegou numa garrafa de água, e voltou para a sala. Sentou-se no chão, encostada ao sofá, ao lado das minhas pernas.
Ela disse:
- Ivan, não fiques zangado. Eu só estou a brincar.
Eu respondi, sem olhar para ela:
- Brincar? Luciana, isto não é brincadeira.
Ela pousou a garrafa no chão, virou-se para mim, e disse:
-;Então porque é que tu não consegues ficar longe de mim? Porque é que vieste ao meu quarto? Porque é que estás aqui, sentado, a olhar para a televisão, quando podias estar no teu quarto?
Eu não respondi. Ela tinha razão. Eu não conseguia ficar longe dela, está rápido de mais, mas é verdade.
Ela se levantou, se sentou no meu lado, e encostou a cabeça no meu ombro. Ficamos ali, em silêncio, a ver televisão.
Eu sentia o cheiro do cabelo dela, o calor do corpo dela, e a minha cabeça dizia para me afastar, mas o meu corpo não obedecia.
Ela pousou a mão na minha perna, e eu senti um arrepio. Mas não fiz nada. Fiquei ali, parado, a tentar controlar-me.
Foi então que ouvimos passos na escada. O meu pai e a tia Fátima estavam a descer. Nós nos afastamos rapidamente. A Luciana pegou na garrafa de água, e eu me sentei direito. O meu pai apareceu na sala, todo sorridente, e disse:
- Bom dia, meninos. Já comeram?
Eu respondi, a tentar parecer normal:
- Ainda não, papá. Estávamos a ver televisão.
A tia Fátima olhou para a Luciana, se aproximou, e disse baixinho no ouvido dela, o meu pai não ouviu, mas eu ouvi, ela disse:
- Luciana, veste-te direito, menina. Não andes assim pela casa.
A Luciana respondeu, com aquele ar de inocente:
- Mãe, eu estou em casa. E o Ivan é da família.
A tia Fátima riu e eu também, mas por dentro estava a pensar: "Da família? Essa miúda é o próprio diab0."
O dia passou devagar. O meu pai e a tia Fátima saíram depois do almoço, e eu fiquei sozinho com a Luciana outra vez.
Mas desta vez, ela estava diferente. Estava mais calada, mais pensativa. Ficou no quarto dela a maior parte do tempo, e eu fiquei na sala, a tentar perceber o que se passava.
Por volta das 16 horas, ela desceu, se sentou no sofá, e disse:
- Ivan, precisamos de falar.
Eu respondi, desconfiado:
- Sobre o quê?
Ela respirou fundo, e disse:
- Sobre nós. Eu sei que isto está errado. E sei que tu estás a sofrer. Por isso, eu decidi que vou desistir. Vou parar de te provocar. Vou deixar-te em paz.
Eu fiquei em choque. Ela ia desistir? Assim, de repente? Eu não sabia o que dizer.
Eu respondi, com a voz a falhar:
- Luciana, eu...
Ela me interrompeu:
- Não precisas dizer nada. Eu entendo. Tu tens a tua família, o teu pai. E eu não quero ser a razão pela qual tu perdes isso.
Ela se levantou, e foi para o quarto dela. Eu fiquei ali, parado, com o coração despedaçado. Eu não queria que ela desistisse. Eu queria-a. Queria-a mais do que qualquer coisa. E, naquele momento, tomei uma decisão. Ia atrás dela e dizer-lhe o que sentia.
Subi as escadas, bati à porta do quarto dela, e entrei sem esperar resposta. Ela estava sentada na cama, a olhar para a janela. Quando me viu, ficou surpresa.
Ela disse:
- Ivan? O que é que tu queres?
Eu respondi, com a voz firme:
- Vim dizer-te que não quero que desistas. Vim dizer-te que eu te quero.
Ela olhou para mim, com os olhos a brilhar.
Ela disse:
- Ivan, tu não sabes o que estás a dizer.
Eu respondi:
- Sei. Sei muito bem. Eu quero-te, Luciana. E não me importa o que os outros pensam.
Eu me aproximei, pousei a mão no rosto dela, e a beijei. Foi um beijo longo, profundo, cheio de desejo. Ela correspondeu, e as minhas mãos percorreram as costas dela. Ficamos ali, na cama, abraçados, a beijar, como se o mundo fosse acabar.
De repente, bem no momento que eu tirei a blusa dela, ela se afastou, e disse:
- Ivan, espera. Tenho sede. Vou beber água.
Ela se levantou, e saiu do quarto. Eu fiquei ali, deitado na cama, com o coração a bater forte. Ela estava a provocar-me outra vez. E eu sabia. Mas já não me importava.
Levantei-me, e fui atrás dela. Encontrei-a na cozinha, a beber um copo de água, encostada ao balcão. Ela olhou para mim, e sorriu.
Ela disse:
- Vieste atrás de mim?
Eu respondi, a aproximar-me:
- Vim. Porque ainda não terminamosi.
Ela pousou o copo, e se aproximou.
Ficamos frente a frente, muito perto. Ela pousou a mão no meu peito, e disse:
- Ivan, tu sabes que isto é uma loucura.
Eu respondi, a beijar-lhe o pescoço:
- Eu sei. Mas é uma loucura que eu quero viver.
Ela soltou um suspiro, e encostou a cabeça no meu ombro. Eu abracei-a, e ficamos ali, na cozinha, a tentar fazer o que queríamos tanto.
Foi então que ouvimos um barulhinho. Passos. Nós nos afastamos rapidamente, em pânico. O meu pai e a tia Fátima estavam a chegar.
O meu pai apareceu na cozinha, e disse bem no momento que estávamos a nos organizar:
- Ivan? Luciana?
Nesse momento o coração começou a bater forte...