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A FILHA DA MINHA MADRASTA

Episódio 5
Mas graças a Deus não fomos pegos, o meu pai só queria saber se estávamos na cozinha. Depois daquele "quase flagrante" na cozinha, eu sabia que não podia continuar a arriscar dentro de casa. O meu pai e a tia Fátima estavam cada vez mais atentos, e a Luciana não parava de me provocar. Eu precisava de a levar para longe dali. Precisava de ter um momento com ela, sem interrupções, sem medo, sem outros olhares. Naquela tarde, mandei mensagem aos meus amigos, o Kito e o Beto, a dizer que ia sair com eles à noite. E disse que ia levar alguém. Depois, fui ao quarto da Luciana, bati à porta, e entrei. Ela estava sentada na cama, a mexer no telefone. Quando me viu, sorriu. Ela disse: - Outra vez aqui? Não aprendeste a lição? Eu respondi, com a voz firme: - Vamos sair hoje à noite. Com os meus amigos. Ela levantou uma sobrancelha, intrigada. Ela disse: - Sair? Com os teus amigos? E porque é que eu iria? Eu respondi: - Porque aqui não podemos estar juntos. E eu quero estar contigo. Sem interrupções, e também porque preciso te mostrar a cidade, estamos muito em casa. Ela sorriu, aquele sorriso maroto que me deixava louco. Ela disse: - Está bem, maninho. Vou-me preparar. Mas um aviso: eu não sou de ficar em segundo plano. Às 20 horas, saímos. Ela vestia um vestido curto, justo, vermelho, que lhe realçava as curvas. O cabelo solto, os brincos grandes, e aquele perfume doce que me deixava tonto. Quando desceu as escadas, o meu pai e a tia Fátima estavam na sala. A tia Fátima olhou para ela, e disse: - Luciana, aonde é que tu vais com esse vestido? Estás linda, filha. Ela respondeu, com aquele ar de inocente: - Vou sair com o Ivan e os amigos dele, mãe. Conhecer a cidade. O meu pai olhou para mim, e disse: - Ivan, cuida bem dela, divirtam-se. Eu respondi: - Pode deixar, papá. Chegamos ao bar por volta das 21 horas. O Kito e o Beto já estavam lá, com mais uns amigos. E, entre eles, estava a Nara. A Nara era uma amiga de infância, sempre andou com a gente, mas ultimamente andava mais próxima de mim. Eu nunca tinha dado conta, mas a Luciana deu logo. Assim que nos sentamos, a Nara veio logo para o meu lado, se sentou, e encostou a cabeça no meu ombro. Ela disse: - Ivan, há quanto tempo! Senti a tua falta. Eu respondi, sem perceber: - Também senti a tua, Nara. Tudo bem? Ela sorriu, e pousou a mão na minha perna. A Luciana, que estava sentada do outro lado, viu tudo. E eu vi o fogo nos olhos dela. A noite foi passando, a Luciana foi se dando bem com todos, menos com a Nara, e a Nara não largava de mim. Cada vez que eu me mexia, ela se encostava mais. Cada vez que eu falava, ela ria alto, tocava no meu braço, puxava o meu cabelo. A Luciana, do outro lado, ficava cada vez mais calada, mais séria. Até que ela se levantou, veio até mim, e se sentou no meu colo. Ela disse, olhando para a Nara: - Amor, estou com frio. Me abraça. Eu fiquei sem reação. Ela nunca me tinha chamado de amor. E ali, na frente de todos, ela estava a marcar território. A Nara ficou parada, sem saber o que dizer. A Luciana encostou a cabeça no meu peito, e ficou ali, grudada em mim, o resto da noite. A Nara tentou se aproximar outra vez, mas a Luciana cortou logo. Ela disse: - Nara, não te importas de me trazer um copo de água? Estou com sede. A Nara olhou para ela, e depois para mim. Eu só encolhi os ombros. Ela se levantou, emburrada, e foi buscar a água. A Luciana olhou para mim, e sussurrou: - Vês? Eu sou a dona do território. Não te esqueças disso. Pouco depois, a Luciana se inclinou para o meu ouvido, e disse: - Vamos sair daqui. Agora. Não quero mais ficar aqui. Eu respondi, surpreso: - Já? Mas ainda é cedo. Ela disse, com a voz firme: - Não me interessa. Ou saímos agora, ou eu vou sozinha. Eu me despedi dos meus amigos, inventei uma desculpa qualquer, e saímos. No carro, ela ficou calada durante uns minutos. Depois, virou-se para mim, e disse: - Também não estás a pensar levar-me para casa, pois não? Eu não quero ir. Eu respondi, a olhar para a estrada: - Então para onde é que queres ir? Ela sorriu, e disse: - Leva-me para um sítio onde ninguém nos possa interromper. Um sítio só nosso. Eu pensei por um momento. E lembrei-me. O meu pai tinha uma casa no Bengo (Próximo de Luanda), uma casa de fim de semana que estava vazia há meses. Ninguém vivia lá. Era o sítio perfeito. Eu disse: - Eu sei onde ir. Conduzi durante quase uma hora. A estrada estava escura, o céu cheio de estrelas, e a Luciana ficou calada, a olhar pela janela. Quando chegamos, ela olhou para a casa, e sorriu. Ela disse: - É aqui? É tua? Eu respondi: - É do meu pai. Mas ninguém vive aqui. Estamos sozinhos. Entramos. A casa estava fria, mas tinha tudo o que precisávamos. Acendi umas luzes, liguei o ar condicionado, e fui buscar uns cobertores. A Luciana ficou na sala, a olhar pela janela, com aquele vestido vermelho a brilhar na penumbra. Eu me aproximei, pousei as mãos na cintura dela, e beijei-lhe o pescoço. Ela soltou um suspiro, e virou-se para mim. Ficamos frente a frente, muito perto. Ela pousou a mão no meu rosto, e disse: Ela disse: - Ivan, tu tens a certeza? Eu respondi, com a voz firme: - Tenho. Tenho mais certeza do que qualquer coisa na vida. Ela sorriu, e me beijou. Desta vez, não houve interrupções. Não houve pais, não houve amigos, não houve medo. Só nós dois. Beijamo-nos longamente, e as minhas mãos percorreram as costas dela, o fecho do vestido, a pele macia. Ela deixou o vestido cair, e ficou ali, à minha frente, linda, com a respiração ofegante. Eu peguei-a ao colo, levei-a para o quarto, e deitei-a na cama. Ficamos ali, abraçados, a explorar cada centímetro do corpo um do outro. Foi intenso, foi profundo, foi tudo o que eu imaginei e mais. Ela g€mia, e eu sentia o coração a bater tão forte que parecia que ia sair pela boca. Depois, ficamos deitados, abraçados, suados, a olhar para o teto. Ela encostou a cabeça no meu peito, e disse: Ela disse: - Ivan, isto não pode ser só uma noite. Eu quero-te para mim. Eu respondi, a beijar-lhe a testa: - Eu também te quero. E não me importa o que os outros pensam. Ela sorriu, fechou os olhos, e adormeceu nos meus braços. Eu fiquei ali, acordado, a olhar para ela, a perceber que a minha vida tinha mudado para sempre. Eu tinha cedido. E, no fundo, não me arrependia. E foi quando caiu uma mensagem no meu telefone, era o meu pai: - Ivan, você não disse que estariam com os teus amigos?