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A FILHA DA MINHA MADRASTA

Episódio 6
A mensagem do meu pai caiu como uma bomba. Eu estava ali, deitado na cama com a Luciana a dormir nos meus braços, e o telemóvel não parava de vibrar. Vi de novo: - Ivan, você não disse que estariam com os teus amigos? Eu li aquilo três vezes. O meu coração acelerou. Ele sabia que algo estava errado. Eu precisava de responder, e rápido. Eu respondi, a mentir: - Pai, os meus amigos saíram mais cedo do bar, e eu levei a Luciana a uma festa na praia, na Ilha. Chegamos por volta das 7 horas. Ele demorou a responder. Ficou uns minutos online, sem escrever. Depois, respondeu: - Está bem. Depois falamos. Eu soltei o ar que estava a prender. A Luciana, ainda meio a dormir, mexeu-se, e encostou-se mais a mim. Ela disse, com a voz arrastada: - É o teu pai? Eu respondi, a beijar-lhe a testa: - É. Mas já resolvi. Dorme. Ela sorriu, fechou os olhos outra vez, e adormeceu. Eu fiquei ali, acordado, a olhar para o teto, a perceber que aquele segredo ia ser cada vez mais difícil de manter. No dia seguinte, acordamos cedo. A Luciana tomou banho, vestiu a roupa do dia anterior, e ficamos na cozinha a preparar chá. Ela estava diferente. Mais calma. Mais doce. Como se aquela noite tivesse mudado algo entre nós. Ela disse, enquanto servia o chá: - Ivan, o que aconteceu... não foi só uma noite para mim. Eu respondi, a olhar para ela: - Para mim também não. Eu te quero, Luciana. A sério. Ela sorriu, e me beijou. Foi um beijo calmo, mas cheio de significado. Voltamos para Luanda por volta das 8 horas, como eu tinha dito. Quando chegamos a casa, o meu pai estava na sala, a tomar café. A tia Fátima estava na cozinha, a preparar o almoço. Ele olhou para nós, e disse: - Então? Chegaram cedo. Eu respondi, a tentar parecer normal: - Sim, papá. A festa acabou às 06, e a Luciana estava cansada. Viemos embora. Ele assentiu, e disse: - E como é que eu soube que vocês não estavam com os teus amigos? O meu estômago apertou. Eu respirei fundo, e respondi: - O teu amigo, o Kito ligou a perguntar se estavam aqui em casa, estava preocupado. Disse que vocês saíram cedo do bar, e que ele não te viu depois. Eu menti, com a maior cara de pau: - Sim, saímos por volta das 22 horas. Fomos para a praia, e ficamos por lá. Ele olhou para mim, depois olhou para a Luciana, e disse: - Está bem, da próxima vez, avisa, você é responsável, mas Luanda não é confiável. Eu respondi: - Claro, papá. Desculpa. A tia Fátima apareceu na sala, e disse: - Luciana, vem cá ajudar-me a preparar a comida. A Luciana foi. Eu fiquei na sala com o meu pai, que voltou a ler o jornal. Parecia que ele tinha acreditado na minha mentira. Mas eu sabia que ele não era burro. Ele só estava a dar tempo.. Pouco depois, bateram à porta. Eu fui abrir. Era o Kito, o Beto, e mais uns amigos. E, atrás deles, estava a Nara. Ela entrou, toda sorridente, com um saco de doces na mão, e disse: - Ivan! Viemos te visitar. E aproveitamos para conhecer a futura esposa do teu pai. A tia Fátima apareceu na sala, e ficou toda contente. Ela disse: - Ah, que bom! Venham, venham. Vou preparar um sumo. O meu pai levantou-se, cumprimentou os rapazes, e sentou-se outra vez. A Nara foi logo para o meu lado, se sentou, e encostou a cabeça no meu ombro. Ela disse, alto, para todos ouvirem: - Ivan e eu somos amigos desde crianças. Sempre fomos muito próximos. Não é, Ivan? Eu respondi, sem jeito: - Sim, sempre. A tia Fátima sorriu, e disse: - Que fofos! Vocês fazem um belo casal. A Nara riu, e disse: - Sim, tia? Eu sempre disse que o Ivan e eu combinamos. O meu pai assentiu, e disse: - É verdade. Sempre achei que vocês dois davam certo. Eu fiquei sem graça. A Luciana, que estava na cozinha, apareceu na porta, e ficou a olhar. A Nara olhou para ela, e disse, com um sorriso falso: - Concordas com isso, Luciana? Não é que eu e o Ivan fazemos um belo casal? A Luciana ficou parada. Eu vi o fogo nos olhos dela. Mas ela respirou fundo, e disse, com a voz fria: - Sim. Fazem. E virou as costas, e foi para o quarto. A Nara sorriu, satisfeita. Eu fiquei ali, sentado, com a Nara pendurada em mim, e a Luciana fechada no quarto. Eu sabia que aquilo ia sobrar pra mim. E não me enganei. Pouco depois, eu me levantei, e disse: - Vou ao quarto de banho. Mas não fui ao quarto de banho. Fui ao quarto da Luciana. Bati à porta, e entrei. Ela estava sentada na cama, com os olhos vermelhos. Ela disse, com a voz a tremer: - Ivan, o que é que estás a fazer aqui? Vai para a sala, na tua namorada. Eu respondi, a fechar a porta: - Luciana, a Nara não é minha namorada. Tu sabes disso. Ela riu, um riso amargo: - Sei? Ela está ali, pendurada em ti, e os nossos pais a aplaudir. E eu tenho que ficar calada. Eu respondi, a me aproximar: - Não tens que ficar calada. Mas não podes fazer uma cena na frente dos meus pais. Ela se levantou, e disse, quase a chorar: - Eu não vou partilhar homem, Ivan. Não vou, isso está a acontecer rápido demais, mas você é meu, repito, meuuuu. Eu me aproximei, pousei a mão no rosto dela, e disse: - Não vais me partilhar. Eu sou teu. Só teu. Ela olhou para mim, e eu beijei-a. Foi um beijo rápido, mas intenso. Ela correspondeu, e as minhas mãos percorreram as costas dela, tirei-lhe o vestido, e ela me tirou a t-shirt, e em segundos estávamos sem roup@, a suspirar profundamente, a beijar em tudo que é lado, rapidinh@ intensa, perigosa, como se o mundo fosse acabar. Eu sabia que aquilo era arriscado. Os meus amigos estavam na sala, os meus pais também. Mas eu não consegui parar, eu não consegui. De repente, ouvimos passos no corredor. Alguém bateu à porta. Uma voz do outro lado, a da Nara: - Ivan? Estás aí dentro? Nós nos afastamos rápido, rimos em pânico, um tapou a boca do outro enquanto tentávamos vestir. A Luciana pegou numa camisola, vestiu-se à pressa, e eu fiquei parado. Ela sussurrou: - Esconde-se debaixo da cama! Eu respondi, a tremer: - Não! Vou dizer que vim buscar uma coisa. Ela disse, com os olhos arregalados: - Estás louco? Se ela te vê aqui, estamos mortos! A Nara bateu à porta outra vez. Ela disse: - Ivan? Estás aí? Eu respirei fundo, abri a porta, e disse: - Estou aqui, Nara. Vim ver se a Luciana precisava de algo. A Nara olhou para mim, depois olhou para a Luciana, que estava sentada na cama sorrindo pra ela. Ela disse: + Está bem. Vem para a sala, os teus amigos estão a perguntar por ti. Eu assenti, e saí do quarto, com o coração a bater forte, e também muito feliz. A Luciana olhou para mim, e sorriu. Aquele sorriso de quem tinha ganhado mais uma vez.