A FILHA DA MINHA MADRASTA
Episódio 7
Saí do quarto da Luciana com o coração a bater forte, mas com um sorriso que não conseguia esconder.
A Nara estava no corredor, com os braços cruzados, e olhou para mim com desconfiança.
Ela disse:
- Ivan, o que é que estavas a fazer aí dentro? A porta estava trancada, eu ouvi barulho.
Eu respondi, a tentar parecer calmo:
- Não estava trancada, Nara. Só fui ver se a Luciana precisava de algo. Ela não estava a sentir-se bem.
Ela não insistiu. Voltamos para a sala, onde os meus amigos estavam a rir e a conversar com o meu pai e a tia Fátima.
A Nara voltou para o meu lado, se sentou e encostou a cabeça no meu ombro outra vez. Sinceramente, ela já estava a me irritar.
Eu vi a Luciana a aparecer na porta da cozinha, e o olhar dela cortou-me como uma faca.
O Kito, que estava sentado à frente, olhou para a Nara, e disse, a rir:
- Nara, tu andas muito grudada no Ivan. Cuidado, que a Luciana pode ficar com ciúmes.
Nesse momento o meu coração começou a bater muito forte, e fiquei me perguntando porque ele disse aquilo com os nossos pais aí.
A Nara riu, e disse:
- Ciúmes? A Luciana é a irmã dele. Não tem nada que ficar com ciúmes.
O Beto riu, e disse:
- Irmã? Irmã de quê? Eles nem são da mesma família, mano. São só filhos dos pais que vão casar.
Eu dentro de mim só gritava, "Param com isso".
O Kito acrescentou, a rir ainda mais:
- E mesmo que fossem irmãos, a Nara é que manda. Sempre foi ela que gostou do Ivan, desde criança.
A Nara olhou para mim, e disse:
- Não é, Ivan? Desde pequenos que eu te disse que ias ser meu.
Eu respondi, sem jeito:
- Nara, isso foi brincadeira de criança.
Ela puxou o meu braço, e disse:
- Brincadeira? Eu nunca brinquei com isso.
O meu pai interveio, e disse:
- Chega disso, a Luciana e o Ivan? Nunca, e ponto final.
O clima sujou nesse momento.
Os meus amigos disseram que só estavam a brincar. A tia Fátima disse:
- Vocês são todos jovens, aproveitem.
A Nara sorriu, satisfeita, e pousou a mão na minha perna. Eu me senti desconfortável, mas não disse nada.
E pra piorar, a Luciana, que estava na cozinha, apareceu na sala com uma bandeja de sumos. Ela serviu todos, um por um, com um sorriso educado. Quando chegou à Nara, parou, e disse:
- Nara, aqui está o teu sumo. Cuidado para não derramar no Ivan.
Essas miúdas tipo queriam me m@tar ya, não era possível o que estavam a fazer.
A Nara pegou o copo, e disse, com um sorriso falso:
- Obrigada, querida. Não te preocupes, eu sei cuidar do Ivan.
A Luciana sorriu, e disse:
- Será?
Eu no coração: Meu Deus, estou mort0.
A sala ficou em silêncio. O meu pai olhou para a tia Fátima, que olhou para mim. O Kito e o Beto olharam para o chão, sem saber o que dizer. A Nara ficou parada, com o copo na mão.
Ela disse, a rir sem graça:
- Ah, Luciana, tu és tão engraçada.
A Luciana respondeu, com a voz firme:
- Não estou a brincar.
Ela virou as costas, e foi para a cozinha. A Nara olhou para mim, e disse:
- Ivan, o que é que se passa com ela?
Eu respondi, sem jeito:
- Nada. Ela só está cansada.
A Nara não acreditou, mas não insistiu. Ficou ali, pendurada em mim, o resto da visita. Eu só conseguia pensar na Luciana e nos nossos pais.
Respeitei fundo porque estava a precisar.
O Kito, para quebrar o gelo, virou-se para a tia Fátima e disse:
- Tia, então quando é que é o casamento? Já temos data?
A tia Fátima sorriu, e disse:
- Ainda não, sem data ainda.
O Beto riu, e disse:
- Vai ser uma festa grande. Ivan, tu vais ser o padrinho?
Eu respondi, sem pensar:
- Do meu pai? Impossível.
A Nara, sempre pendurada em mim, disse:
- Eu quero ser dama de honra. Vou usar um vestido lindo, e vou dançar a noite toda com o Ivan.
A Luciana, que tinha voltado da cozinha com um prato de bolachas, ouviu aquilo, e parou. Ela pousou o prato na mesa, e disse, com a voz fria:
- Dama de honra? És engraçada ya.
O ambiente ficou pesado outra vez. O meu pai tossiu, e disse:
- Vamos todos comer as bolachas. Fátima, faz mais sumo.
Eu não estava a entender porque a Luciana estava a se comportar daquele jeito, juro.
O tempo passou e os meus amigos foram-se embora por volta das 15 horas. O Kito e o Beto se despediram, a rir, e a Nara foi a última a sair.
Ela me deu um abraço apertado, e disse, no meu ouvido:
- Ivan, aparece em casa. Senti a tua falta. E olha, não ligues à Luciana. Ela é só uma criança.
Eu respondi, a tentar ser simpático:
- Vou tentar, Nara. Obrigado pela visita.
Ela sorriu, e saiu. Fechei a porta, e respirei fundo. O meu pai olhou para mim, e disse:
- Ivan, precisamos de falar.
Eu respondi, com o estômago a apertar:
- Sobre o quê, pai?
Dentro de mim queria correr dali.
Ele disse:
- Sobre a Luciana. E sobre a Nara. E sobre o que se passou nesta casa.
A tia Fátima apareceu na sala, e disse:
- Amor, deixa o rapaz.
O meu pai respondeu:
- Não é diversão, Fátima. É confusão. E eu não quero confusão nesta casa.
Eu fiquei em silêncio. Não sabia o que dizer. O meu pai olhou para mim, e disse:
- Ivan, eu vou ser claro. Eu e a Fátima vamos casar. E quando casarmos, tu e a Luciana vão ser irmãos. Irmãos. Não importa o que sintam. Isso não pode acontecer.
Eu respondi, com o coração a bater forte:
- Papá, não está a acontecer nada aqui.
Ele olhou para mim, e disse:
— Ivan, eu sei o que se passa entre vocês. E aviso-te: se continuarem, vão magoar muita gente. E eu não vou permitir isso.
Eu não respondi. Não conseguia. Ele tinha razão. Mas por dentro eu não estava a ouvir. Eu queria a Luciana e prontos.
Depois, o meu pai e a tia Fátima foram para o quarto deles. A Luciana foi para a cozinha, organizar a loiça. Eu fiquei na sala, a fingir que via televisão. Passados uns minutos, ela apareceu na sala, com um pano na mão, e se sentou ao meu lado.
Ela disse, baixinho:
- Ivan, peço desculpas pelo que fiz.
Eu respondi:
- Já está feito, não tem como voltar.
Ela disse:
- Mas pra ser sincera, não me arrependo.
Ela se aproximou, sentou no meu colo, e começou a acariciar o meu corpo.
Eu dissei, a olhar para o corredor, para ver se os meus pais estavam a ver:
- Luciana, os nossos pais estão no quarto. Se eles nos vêem juntos, vai ser pior.
Ela disse, a olhar para mim:
- Eles já sabem, Ivan. O teu pai já te avisou. A minha mãe já me avisou. Não há nada a esconder.
Eu respondi, a respirar fundo:
- Então o que é que queres fazer?
Ela se aproximou, pousou a mão na minha perna, e disse:
- Quero que tu decidas. Ou eu, ou a família.
Eu fiquei em silêncio. Ela olhou para mim, e continuou:
- Ivan, eu vou embora amanhã. Para Benguela. A minha mãe já decidiu. E eu não vou voltar. A não ser que tu me peças para ficar.
Eu senti o coração a apertar. Ela ia embora. E eu não sabia o que fazer.
Eu respondi, com a voz a falhar:
- Luciana, tu és a mulher que eu quero, mas o meu pai é o meu pai.
Ela abanou a cabeça, e disse:
- Então não há nada a fazer. Vou-me embora, e tu ficas com a tua família, e a tua futura namorada.
Ela se levantou, e foi para o quarto. Eu fiquei ali, parado, com o coração despedaçado. Passados uns minutos, eu me levantei, e fui atrás dela. Bati à porta do quarto, e entrei. Ela estava sentada na cama, a olhar para a janela.
Eu me aproximei, pousei a mão no rosto dela, e disse:
- Luciana, eu não quero que vás.
Ela olhou para mim e disse:
- Então faz alguma coisa. Diz ao teu pai. Diz à tua família que não te importas com o que eles pensam.
Eu respirei fundo, e disse:
- Vou falar com eles. Amanhã. Prometo.
Ela sorriu, e me beijou. Foi um beijo lento, profundo, cheio de desejo. As minhas mãos percorreram o corp0 dela tão rápido, e ela deixou-se levar.
De repente, ouvimos alguém na porta a tentar abrir, mas estava trancada.
A tia Fátima bateu à porta, e disse:
- Luciana, abre a porta. Agora.
Nós nos afastamos, em pânico. A Luciana olhou para mim, e sussurrou:
- Esconde-te na casa de banho!
Eu respondi, a tremer:
- Não! Vou enfrentar eles.
Ela disse, com os olhos arregalados:
- Estás louco? Se eles te vêem aqui, acabou tudo!
A tia Fátima bateu à porta outra vez, mais forte. Ela disse:
- Luciana, abre a porta.
Eu respirei fundo, abri a porta, e lá estavam os dois. O meu pai, com o rosto vermelho de raiva, e a tia Fátima, com os olhos cheios de lágrimas. Eles olharam para mim, depois para a Luciana, e o silêncio foi ensurdecedor.
A tia Fátima olhou para a filha, e disse:
- Luciana, arruma as tuas coisas. Vais para Benguela amanhã de manhã.